Entre os 40 e os 50 anos, o corpo da mulher passa por uma das transições hormonais mais intensas da vida adulta: o climatério. Nessa fase, queda de estrogênio, redução de massa muscular e aumento de gordura corporal costumam vir acompanhados de outra pergunta, menos falada, mas igualmente importante: como isso afeta a forma como nos sentimos em relação à própria vida?
Um estudo publicado em 2026 na revista Menopause Review foi direto ao ponto e investigou exatamente essa relação em mulheres profissionalmente ativas na faixa dos 40 aos 50 anos.
O que o estudo avaliou
A pesquisa acompanhou 106 mulheres, com idade média de 43 anos, todas trabalhadoras e mães, durante o período de perimenopausa. As pesquisadoras mediram três coisas em paralelo:
- Composição corporal, usando bioimpedância (não só o peso na balança, mas percentual de gordura e de massa magra)
- Nível de atividade física, com contagem de passos ao longo de uma semana
- Satisfação com a vida, usando uma escala validada internacionalmente
O objetivo era entender como esses três fatores se conectam durante o climatério.
O peso na balança não conta a história toda
Um dos achados mais relevantes foi que a maioria das participantes (mais de 80%) estava acima do peso, mas o índice de massa corporal (IMC) sozinho explicou muito menos da variação na satisfação com a vida do que o percentual de gordura corporal.
Em outras palavras: duas mulheres podem ter o mesmo IMC e sentir níveis de bem-estar bem diferentes, dependendo de como a gordura e a massa muscular estão distribuídas no corpo. Isso reforça algo que já defendemos aqui: avaliação corporal de qualidade vai muito além do número na balança.
Atividade física apareceu como o fator mais protetor
Entre todos os fatores analisados, o nível de atividade física foi o que mais se relacionou positivamente com a satisfação com a vida, superando inclusive a composição corporal como preditor isolado. Mulheres mais ativas relataram, em média, maior bem-estar subjetivo.
Ainda assim, o estudo mostrou uma realidade comum: cerca de metade das participantes caminhava menos de 5 mil passos por dia, um nível considerado sedentário. A meta recomendada por diretrizes internacionais de saúde é de pelo menos 150 minutos de atividade moderada por semana, e o treino de força ganha destaque especial nessa fase, por ajudar a frear a perda natural de massa muscular que acelera após os 40 anos.
E a alimentação, onde entra?
O estudo também avaliou a dieta das participantes por meio de diários alimentares. O consumo de proteínas, gorduras e carboidratos estava, de modo geral, dentro das recomendações nutricionais. O ponto de atenção ficou por conta da fibra: a ingestão média ficou bem abaixo do recomendado, o que impacta diretamente saciedade, saúde intestinal e controle metabólico, questões especialmente relevantes no climatério.
O que fica de aprendizado prático
Os achados reforçam três pontos que costumam aparecer nas conversas com minhas clientes nesta fase da vida:
- Composição corporal importa mais do que peso isolado. Ganhar massa magra e reduzir percentual de gordura tende a impactar mais o bem-estar do que perseguir um número específico na balança.
- Movimento é remédio para o corpo e para a mente. Caminhar mais, incluir treino de força e sair do sedentarismo aparece como um dos fatores mais associados a maior satisfação com a vida nessa fase.
- Fibra é prioridade no prato. Frutas, verduras, leguminosas e grãos integrais ajudam a suprir uma lacuna nutricional comum entre mulheres nessa faixa etária.
O climatério não precisa ser vivido como um período de perdas. Com informação de qualidade, acompanhamento nutricional adequado e movimento regular, é possível atravessar essa fase com mais energia, mais força e mais satisfação com a própria vida.
Referências
Gdańska AB, Jurys T, Sadowska-Krępa E, Grajek MK. Associations between body composition, physical activity, and life satisfaction in perimenopausal women aged 40–50 years: a cross-sectional study. Menopause Rev 2026; 25(2): 1-8. DOI: 10.5114/pm.2026.163868
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World Health Organization. WHO Guidelines on Physical Activity and Sedentary Behaviour. Geneva: World Health Organization; 2020.
